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Esporte

Uso de Antiinflamatórios para o esporte e atividade física

02 de janeiro de 2012

Um dos temas mais polêmicos durante a prática de esportes é o uso de antiinflamatórios para combater aquela famosa "dorzinha pós início de exercício". Porém, ao fazermos uso dessas substâncias, algumas perguntas nos vêm à mente como, por exemplo, será que isso vai me trazer algum benefício ?

A resposta para isso está na literatura. Vale apena conferir.

FATOS

- Em recente pesquisa realizada constatou-se que nas olimpíadas de Sidnei nas Austrália em 2000, aproximadamente 38% dos atletas estavam fazendo uso de antiinflamatórios para combater a dor de pequenas lesões musculares e articulares (HUANG et al, 2006).

- Atletas utilizam de 2 a 4x mais antiinflamatórios do que a população considerada não-atleta (ALARANTA et al.2008);

- Outra droga bastante prevalente entre atletas é a pseudoefredina com prevalência de 46% (BENTS et al. 2004);

- Aproximadamente 25.6% de atletas olímpicos entrevistados estavam fazendo uso de antiinflamatórios durante os jogos há, pelo menos, 3 dias seguidos (CORRIGAN & KAZLAUSKAS, 2003);

ANTIINFLAMATÓRIOS: BENEFÍCIOS OU MALEFÍCIOS?

Os antiinflamatórios são utilizados para diminuir inflamações dos tecidos musculares e combater a dor muscular tardia (DMT) após, por exemplo, uma sessão extensiva de treinamento. Porém, dados da literatura mostram que a resposta inflamatória é uma maneira fisiológica do corpo se livrar das células afetadas e iniciar a regeneração do tecido. Com a inibição desta função, o tecido demora mais para se regenerar (ALARANTA et al.2008).

Dessa forma, parece que a utilização dos antiinflamatórios deve ficar restrita as fases iniciais do treinamento quando o corpo ainda não está habituado a cargas dentro do volume ou intensidade.

De maneira geral, de 24 a 72 horas após uma sessão de exercícios (onde exista um componente excêntrico significativo) a DMT se faz presente sendo mais prevalente em indivíduos sem grande lastro fisiológico ou, ainda, após a mudança dos estímulos de treino.

Tem sido proposto que o processo inflamatório e a formação de edemas musculares após o dano dos tecidos é responsável pelo aparecimento da DMT. Dessa forma, o uso de antiinflamatórios parece ser uma saída lógica para a diminuição das dores.

Porém, apesar do que se acredita, muitos estudos falharam ao tentar demonstrar os efeitos dos antiinflamatórios ou analgésicos no combate a dor oriunda do exercício (BOURGEOIS et al. 1999; PIZZA et al. 1999; PETERSON et al. 2003).

Outra parte negativa do uso contínuo e excessivo de drogas antiinflamatórias diz respeito à diminuição do processo de hipertrofia muscular.

É sabido que as prostaglandinas (membros dos grupos dos lipídeos que causam uma maior permeabilidade capilar e também atraem células como macrófagos especializadas na fagocitose de restos celulares resultantes durante o processo inflamatório) regulam o metabolismo proteico estmulando a síntese de proteínas. Já foi demonstrado na literatura que as prostaglandinas tem sua função aumentada após sessão de exercícios resistidos e que, o consumo de substâncias antiinflamatórias (como o paracetamol, por exemplo) diminuem sua função no organismo (TRAPPE et al. 2001).

Na verdade, estudos com modelos animais demonstraram reduções de 50% na hipertrofia dos músculos após o uso de ibuprofeno (outra droga de função antiinflamatória) durante 14 dias de uso (SOLTOW et al. 2006).

Além disso, o uso de outras drogas utilizadas para combater a inflamação dos tecidos também ocasionaram a diminuição da migração de células satélites para o tecido danificado pelo exercício (MACKEY et al. 2007).

A utilização em longo prazo de antiinhflamatórios parece afetar negativamente a hipertrofia dos tecidos musculares.


Fonte: http://www.alexandrelevangelista.com.br/

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